Das coisas que eu queria ter escrito

[11:08:14] Marília Scriboni: lê um texto e me diz se não é lindo
[11:08:26] Marília Scriboni: http://www.epicshit.com.br/2010/12/21/um-ano-sem-amor/
[11:16:51] Natália Raposo: chorei.
[11:16:57] Marília Scriboni: é lindo
[11:16:58] Natália Raposo: sou tão boba.

O texto que a Marília me enviou:

Um ano sem amor (Renmero Rodrigues)

Enquanto ela contava uma história deliciosa sobre algum parente dela, ia concordando levemente com a cabeça e tentando parar de suar após uma caminhada um pouco longa até chegar ali, naquele café acidental nascido ao redor de um fast food. Ela tem sido uma das poucas constantes em meus dias. Conversamos por algumas horas sobre uma besteira qualquer e depois mais outras horas sobre algo mais sério, capaz de desmanchar relações e cortar laços indefinidamente. Mas conversamos sobre elas mesmo assim.

Quando digo para ela que vou viajar, passar umas semanas longe e que se por ventura conseguir voltar (até agora tenho conseguido) a gente vai se ver, apenas sinto um sorriso leve vir de seu rosto e um vai lá que não disfarça um pouco da tristeza de ficar longe – e um pouco da apreensão proveniente da possibilidade de não voltar. Fica bem aqui, guria. A gente se vê daqui a pouco. Gostaria de dizer sempre que sei que vou voltar, mas estaria enganando a nós dois. Ela sabe. Ela enxerga através de mim a uma distância considerável.

Com ela não sei datas a se comemorar, ocasiões especiais a se planejar ou sequer como chamá-la – guria, meu amor, linda, namorada, mulher, tu. Sei apenas que quando estamos juntos, algo especial está acontecendo. Nos dias ruins, nas madrugadas insanas de discursos longos e vazios (que podem ser interrompidos com um abraço e não se fala mais no assunto), nas manhãs lentas e com sol vazando pelas frestas das cortinas enquanto deitamos com fome a planejar algo.

Arrisco dizer que desmontamos e remontamos convenções sociais como bem entendemos. Quem vem até nós em busca de uma resposta – “você estão juntos?” – acaba recebendo coisas bem diferentes. Não precisamos explicar muito, guria, vamos complicar um pouco e ver o que vai dar. Vai ser mais engraçado.

Ali no café, ela gesticulava e ria alto junto comigo. Nunca pedimos nada para tomar. Ficamos ali afinando nossas conversas após semanas de distância. Um se (re)acostumando com outro. Digo para ela que foi um ano bom, ela tenta rechaçar com alguma resposta trágica mas desiste no meio do caminho e apenas sorri. Umas das coisas que aprendemos um com o outro é que nossos modos de ver as coisas nem sempre se alinham, e que não é por isso que um está certo ou errado, que um precisa convencer o outro.

Guria, foi um ano bom. Não foi? Sorriso. Beijo. Assim.

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