Palhaço Motoqueiro – A história

Numa quinta-feira qualquer conheci um palhacinho – posteriormente nomeado por mim e Amiga Jornalista Aquariana de Exalta. Mas essa história não é sobre mim, Exalta e nossa meteórica relação de ofensas e vinganças. Nesse mesmo dia, Amiga Jornalista Aquariana conheceu Palhaço Motoqueiro. E é aqui que começa a nossa história.

Amiga Jornalista não estava em pleno gozo de suas faculdades mentais, o álcool havia desgastado alguns de seus preciosos neurônios. E foi assim, nesse transe etílico, que Palhaço Motoqueiro entrou na história. A priori, apenas motoqueiro, mas logo logo palhaço – como todos. Amiga Jornalista veio me contar feliz que P.M. (Palhaço Motoqueiro) havia ligado, disse que ele era espontâneo.

Preciso dizer que aquele adjetivo para qualificar o boy me deixou com os dois pés a 30km de distância. Como assim espontâneo?! Sabia. Eu sempre soube que P.M. possuía massa encefálica reduzida. Sempre soube, mas fiquei calada. Afinal, não é preciso ser Machado de Assis pra fazer alguém feliz. Digo isso apesar de eu mesma ser do time das que se apaixonam pela inteligência. Mas, vai saber… algumas mulheres acham charmosos os erros do meu português ruim, como bem cantou Roberto.

Amiga Jornalista relutou, insistiu, tentou extrair a fórceps um repertório linguístico-cultural que Palhaço Motoqueiro não tinha. E não o culpo pelo repertório reduzido, afinal, nem todo mundo tem as mesmas oportunidades na vida. Nem todo mundo cresceu ouvindo boa música – como eu e Amiga Jornalista -, ou lendo bons livros e assistindo a clássicos do cinema. O problema não está em não saber, e sim em não ter qualquer interesse em refinar os gostos e ampliar os horizontes. Enfim, cada um sabe de si. E Palhaço Motoqueiro sabia dele, de sua moto e de suas milhões de horas de trabalho escravo.

No afã de catequizar Palhaço Motoqueiro, Amiga J. o levou conosco pro show de Geraldo Azevedo. Tudo lindo, todas as músicas d’O Grande Encontro e nós felizes da vida. Mas nosso amigo circense não estava feliz; ele não sabia/gostava de nenhuma música e ainda limitou os movimentos de Amiga J. por horas, com aquela cara de marido super capaz de fazer a moça se aborrecer.

Não foi dessa vez que nossa intrépida guerreira desistiu.

Depois dessa ocasião, Amiga Jornalista separou vinil do The Police, crente que agradaria Palhaço Motoqueiro. O vinil está guardado até hoje, não dava pra entregar. Palhacinho mandou email dizendo que se sentia preso, que não queria se envolver – aquele blá blá blá masculino, temperado com os erros do meu português ruim. Amiga Filha da Pauta respondeu em texto bem redigido, mas o Palhacinho estava irredutível.

Palhaço voltou a procurar, Amiga Jornalista o fez observá-la não se importar, Palhaço se fez de gostoso, Amiga Jornalista correu atrás como (quase) toda mulher que se sente passada pra trás. Conversa daqui, conversa de lá. Palhaço Motoqueiro continuava se sentindo preso por correntes metafóricas de ninguém.

“É que tu é muito cobrona.”

“COBRONA? É tipo uma cobra grande?”

“Não. É uma pessoa que cobra demais” – respondeu calmamente P.M.

Dali em diante, Palhaço Motoqueiro repousaria tranquilamente no rodapé tímido das páginas amarelas de um livro esquecido na estante do quartinho dos fundos. Soube que Palhacinho da moto tem ligado para nossa intrépida guerreira com desculpas esfarrapadas, tentando uma aproximação forçada.

Perdeu, playboy.

Era uma vez um Palhaço Motoqueiro…

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4 comentários sobre “Palhaço Motoqueiro – A história

  1. Mandrey disse:

    jornalista tem que namorar com jornalista. Ou artista plástico. Ou arquiteto. Difícil é achar um macho disponível no meio disso tudo. Mhuhahahahahahahaha

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