Fazer o bem

A  minha amiga Vivi, que esteve em Maceió, escreveu esse texto que não foi publicado em lugar algum, mas ela me autorizou a publicá-lo em um dos meus blogs, caso eu assim quisesse. Além das palavras sensíveis da Vivi, vale a pena refletir sobre a tragédia das enchentes no Nordeste; sim, porque embora o assunto não esteja mais em evidência na mídia não significa que as cidades afetadas tenham se reconstruído como num passe de mágica. Sinto decepcionar os mais inocentes, mas usar tag #SOSwhatever no twitter não resolve muita coisa.

Não sei você, mas eu tenho a consciência de ter feito algo concreto que estava ao meu alcance.

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Quando todo um país dá as mãos…

*por Viviane Marques

Confesso que levei um susto quando entrei em Maceió hoje. A princesa está de luto. Até o mar vestiu o escuro por conta do que aconteceu nos últimos dias. Quando a gente vê aquela situação caótica pela televisão, não tem nem noção do que é vivenciar aquilo tudo.

Mas, uma coisa ainda foi capaz de me fazer sorrir, apesar de tudo. Em todos os jornais, na televisão, nos eventos, com faixas na porta, na internet, nos sites de relacionamentos o país se dá as mãos. A solidariedade está gritando, pulsando, viva e se apresentando em todos os lugares. E, ainda assim, sobra tanta falta… No quartel do corpo de bombeiros em Maceió, uma situação de guerra. A movimentação em função das doações de donativos é enorme.

Um grupo de pessoas tenta organizar os calçados que foram doados. Os pares estão todos separados e isso dá um trabalhão. “Toda doação é bem vinda. Só que quando os calçados chegam aqui, estão todos bagunçados. Não reclamo pelo trabalho em organizar. Mas, é que, sendo assim, as pessoas demoram mais para receber. E são eles quem não devem esperar, não podem esperar, não aguentam mais esperar”, desabafa uma voluntária, enquanto enxuga o suor do rosto.

Dia de jogo do Brasil. Oitavas de final da Copa do Mundo. As pessoas parecem não lembrar disso. A briga delas é por um Brasil que é muito mais palpável e que arranca lágrimas mais desesperadas que as lágrimas de ansiedade por um resultado interessante para a seleção brasileira. Lágrimas essas que são motivadas por um desespero sem tamanho. O recomeçar nunca pareceu algo tão dificil. A chuva foi impiedosa. Destruiu casas, escolas, famílias. Levou de alguns até a esperança.

Os caminhões de doações chegam a todo momento. E, em meio àquela bagunça organizada, uma lágrima me escorre pelo rosto. Uma pequenina, vestida de maneira simples, adentra o quartel, agarrada a uma garrafa de um litro e meio de água mineral como quem abraça um bebê. Parece perdida e busca com os olhos uma ajuda. “Está perdida?”, um oficial pergunta para ela. E ela, com os olhos brilhando, levanta a garrafa de água, e diz: “Para quem eu entrego? Quero ajudar”.

É… A chuva não foi capaz de acabar com o amor ao próximo.

Abaixo à indiferença!

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3 comentários sobre “Fazer o bem

  1. Maria disse:

    Ou a chuva veio para nos lembrar da nossa humanidade…do que é frágil e da empatia ao sofrimento alheio, coisa que nos faz forte.
    Lindo texto
    beijos

  2. Cristiano disse:

    Uau, que texto belíssimo de Vivi! Que poder de observar não só com os olhos mas também com o coração. Essa é a Vivi que conheço. :)

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