Folhetim

Bom mesmo seria se a vida de todo mundo fosse que nem último capítulo de novela, com direito à vilã se redimindo e pedindo perdão pelas maldades feitas ao longo de seis, oito meses de trama. Bom mesmo é fim de novela: todo mudo feliz, bem-sucedido, gente feia tendo filho bonito e barangas confessas fisgando príncipes encantados. Às vezes, rola até festinha com cantor famoso que fez parte da trilha sonora, ou então aquele discurso com ‘moral da história’, narrada em off por uma personagem importante. Bom mesmo é último capítulo de novela.

Pena que na vida real os últimos capítulos não são tão lúdicos assim, melhor dizendo, não são nem um pouco lúdicos. O último capítulo daquele trabalho chato que você odiava, mas que garantia a fatura do cartão de crédito paga no fim do mês não foi divertido. Você continua desempregado e não há remota chance de um olheiro te encontrar na parada de ônibus e determinar que você será o novo rosto da moda mundial. Acorda! Isso só acontece em final de novela, e, geralmente, com aquela personagem que se deu mal a trama inteira. É uma forma de remissão do próprio autor.

O último capítulo daquele romance em três atos, mas que você julgava ser pra sempre, também não foi adorável e civilizado como num último capítulo de novela, e certamente não apareceu nenhum Rodrigo Hilbert pra fazer parzinho com você e garantir que você não termine a novela sozinha. No mínimo, ele te passou pra trás por uma bunda sem cérebro, ou te deu uma desculpa clichê do tipo ‘Não é você, sou eu’; pior, sumiu sem deixar vestígios ou então deixou milhões de vestígios que você não ousaria seguir, afinal, correr atrás de quem #%& e anda pra você é o cúmulo da falta de vergonha na cara (amor-próprio é palavra bonita que os escritores de best-sellers de auto-ajuda inventaram).

Não interessa se você é mãe solteira, se recém saiu de uma clínica de reabilitação, se perdeu o emprego, se perdeu um ente querido, se levou pé-na-bunda, se dá um duro danado pra atualizar o blog que nem é hospedado no portal da Globo, se tem amigos fofos que comem comida natureba. Nada disso interessa. Novela é novela, ok?

E sim, hoje eu estou chata, de tpm e com vontade de destruir sonhos. Alguém se habilita?

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Publicado em: tpm

4 comentários sobre “Folhetim

  1. Jullyane disse:

    Agora que me embananei mais ainda nos entendimentos!

    Mas, ó, concordo, viu? Eu bem que queria um Rodrigo Hilbert me dando sopa, hein? E olha que eu nem sou louca-maníaca-depressiva-anoréxica-alcoólatra… E até me atrevo a dizer que sou bonitinha! =]

    Vamos trabalhar, né? Que ninguém por aqui vai ganhar na mega sena, rs!

    Beijos

  2. Du disse:

    Os meus tu nem conseguiria destruir, porque já foram destruidos todos… acho até que vou ter que trocar o nome do meu blog pra moça dos pesadelos, o que tu acha?
    Tu tem razão, final de novela é ideal pra ajudar a destruir sonhos reais, é ali que a gente vê que vida tosca a gente tem… ou não.

    Tô amarga, tô azeda e isso só tende a piorar. Ou não, né?

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