restituição

Tudo meu

Devolve.
Devolve o Neruda que eu te dei.
Devolve os links que eu te mandei, as músicas que eu te indiquei, o tempo – todo meu – que eu te dediquei.
Devolve cada coisa que eu te dei sem achar que um dia fosse querer de volta.
Devolve o que é meu.
E a tentativa de abandonar-me de ti.
Quem sabe sem vestígio teu,
Sem pedaços meus sob o teu domínio,
Eu possa ser só minha novamente.
Minha e tudo meu.

Natália Raposo

a velha roupa colorida de paulo coelho

Velha roupa coloridadaí que fazendo uma listinha mental de livros e autores que gosto e/ou gostei muito em algum momento da vida, listei de Agatha Christie a Marian Keys, de Saramago a Paulo Coelho. Sim, Paulo Coelho! Aquele de quem é proibido gostar segundo as leis da internet.

li Paulo Coelho quando era muito novinha e eu gostei. Adorei Verônika Decide Morrer e achei divertido imaginar a luz branca sobre o ombro (direito ou esquerdo? não lembro) das pessoas depois que li Brida. Naquela época, li um monte dos livros dele. Daí eu cresci e Paulo Coelho ficou no passado.

ultimamente, tenho sentido vontade de reler livros que foram importantes pra mim de alguma forma, mas nunca tive vontade de reler Paulo Coelho. Talvez tenha alguma relação com as tais leis da internet… Mas talvez tenha a ver – e eu acredito que tenha – com o fato de que algumas lembranças devem ser guardadas bonitinhas na caixa de memórias, sob o risco de macularem o que foi bom e bonito.

deixa o Paulo Coelho na estante. Deixa aquele romance de verão (ou era inverno?) na lembrança de uma música do Lenine (ou era Zeca Baleiro?). Deixa a relação que acabou no sorriso cúmplice do porta-retrato, na tatuagem que hoje não faz mais sentido.

o passado, aquela roupa que não nos serve mais, mas que a gente guarda e, às vezes, insiste em experimentar, assim como quem não quer nada, só pra ver como é que fica.

*Escrito em 27/04/2015

P.S.: Agora em 2017 deu vontade de reler pelo menos Brida e O Alquimista. Eu tô ficando boa demais nesse negócio de mudar de ideia…

Esses anos

Teve aquele ano em que eu renasci de um modo que nem eu me sabia capaz de renascer. Naquele ano, nem lembrei de cantar Belchior, embora tenha morrido no ano anterior. E desde então eu não morri nunca mais.

(‘ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro’)

P.S.: Eu escrevi isso no dia 26 de outubro, aniversário do Belchior. E que risos… Os últimos meses de 2016 foram mortes horríveis. Mas, né, tamo aqui em 2017 renascendo de novo e de novo e de novo…

12 livros para 2017

Comecei esse ano fazendo um bullet journal, resoluções de ano novo  e uma lista de 12 livros para 2017, dentre outras coisas que a gente tem por hábito fazer quando troca o calendário e que nem sempre quase nunca leva adiante.

Eu sei que já estamos em março, mas tudo bem, segue o baile. E segue minha lista de #12livrospara2017:

Janeiro:
Vida organizada (Thais Godinho)

Fevereiro:
Ilíada (Homero)
*ainda terminando. dá um desconto, é Homero em verso.

Março:
A hora da estrela (Clarice Lispector)

Abril:
O evangelho segundo Jesus Cristo (José Saramago)

Maio:
Nu de botas (Antonio Prata)

Junho:
Holocausto brasileiro (Daniela Arbex)

Julho:
Pedro Páramo (Juan Rulfo)

Agosto:
Odisseia (Homero)

Setembro:
Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)

Outubro:
A ilha do conhecimento (Marcelo Gleiser)

Novembro:
Eneida (Virgilio)

Dezembro:
A mulher que roubou a minha vida (Marian Keyes)

 

Dores

‘Todo mundo é parecido quando sente dor.’

Todo mundo é parecido: não gosta de sentir dor.

Todo mundo age parecido para evitar a dor.

Quem anda no piloto automático não sofre.

3×4

Hoje eu vi um link da Folha de São Paulo pra uma matéria sobre o Swoden, e a foto dele era diferente daquela única e mesma  imagem que os (tele)jornais têm usado há meses. Ele continua com a mesma cara de quem não gosta de brigadeiro, só que um pouco mais amarela.

Simplicidades

Ainda são 11h30, mas a minha surpresa feliz do dia já foi conhecer esse tumblr: História sem Graça.

Ele é bonito e feliz e encantador porque é simples e sem graça como boa parte da nossa vida.

Pense nos seus últimos três dias. Aposto que não foram movimentados e cheios de tramas inacreditáveis como os dias dos vilões de Malhação, dedicados a bolar planos infalíveis do Cebolinha. A vida é assim mesmo, cheia de momentos especiais que não tem nada de extraordinário.

Vontade de voltar a blogar muito… Eu tenho tanta história sem graça pra contar…